segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

A natureza animada


Um post um pouquinho mais pessoal hoje...
No livro "Os sofrimentos do Jovem Werther", a natureza é retratada quase como mais um personagem. Quando o protagonista está feliz o céu é azul, quando o sofrimento do amor recai sobre sua alma o céu escuresse e a natureza parece mais fria e soturna. Andei pensando sobre isso, e fico surpreso como é comum que pelo menos eu faça ligações parecidas, entre meu estado de espírito e o mundo exterior. Depois de uma série de dias quentes e ensolarados, em que me senti mais leve, quase transcedental, hoje sobrevêm nuvens escuras no céu, enquanto meu coração se enche de dúvidas. hahaha, forçando um pouco mais o simbolismo, posso dizer que esse começo de ano com lua nova não me deixou muito confortável. Velhas superstições de um velho lobo. Achei que seria lua cheia.

Mas isso é bobagem, um enorme erro de causa de efeito, já que é natural que sintamos tristeza mais intensamente quando menos expostos a luz do sol. Mas pra que estragar com biologia um momento tão poético não é mesmo =)

*O senhor me diz não crer na existência da alma por nunca, em suas cirurgias, haver encontrado uma? E quantas memórias o senhor já encontrou? Quantos sentimentos? - Grigori Rasputin*

domingo, 6 de janeiro de 2008

Mais romantismo


A mola propulsora do romantismo parece, para mim, ter sido as grandes contradições existentes na Europa dos séculos XVIII e XIX. Se por um lado a ciência se desenvolvia com a velocidade das máquinas à vapor, por outro esse avanço não era experimentado por todos. Enquanto a Inglaterra estava na vanguarda da modernidade, a um passo do século XX, a Alemanha por exemplo ainda era um conjunto disperso de estados feudais, que, a exceção da Prússia, permaneciam totalmente fora da conjuntura global de comércio, colonização, etc...

Os ânimos europeus, principalmente dos jovens, se arrefeciam pelo desapontamento com os rumos da revolução francesa, os ideários burgueses se mostravam tão torpes e predatórios quanto os do Antigo Regime, até mais. O resultado foi uma onda de escapismo, de negação da realidade desencantada por parte primeiramente dos românticos na França, Inglaterra e notavelmente na alemanha.


O movimento de codificação do Direito alemão e seus opositores mostram bem essa dicotomia que existia na europa. Sem entrar nesse mérito, podemos também lembrar que para a parte oriental da Europa, a Idade Média tinha deixado rastros bem próximos, como povos considerados bárbaros sendo uma ameaça palpável a coisa de um século ou menos. E isso serviu para alimentar o já rico imaginário popular. Portanto, a modernidade ocidental entrava em choque com a cultura popular, fortemente retrógrada. O movimento romântico surgiu então exaltando a cultura popular, como se vê nas músicas de Wagner ou na literatura de Goethe.

Esse é um assunto bem longo e um mero blog seria pouco digno pra tentar divagar mais sobre isso. Então fiquem aí com esse parcos dados reunidos por uma mente imatura.


Até a vista, camaradas de revolução!


**Só é digno da vida aquele que vai, todos os dias, à luta por ela -
Johann Wolfgang von Goethe**

sábado, 5 de janeiro de 2008

Sturm und drang!


Hoje comecei a ler "Os sofrimentos do jovem werther". Já tinha lidouma parte antes, mas comecei novamente decidido a terminar.
Bom, é bem provável que em breve eu vos escreva falando sobre o livro e seu autor, então achei que seria interessante pesquisar e trazer pra cá um pouco de informações (bem pouco) sobre o momento em que a obra está inserida.

Goethe foi um dos maiores nomes do movimento Sturm und Drang ("tempestade e paixão" ou "tempestade e ímpeto", em alemão), que questionava o desencantamento típico do século XVIII e XIX trazido pelo iluminismo e bem mais tarde pelo positivismo. O pensamento que nascia na época buscava na ciência e na razão humanas as respostas para os questionamentos da vida, abandonando a religião e as crenças ancestrais, rotuladas como superstições.
O movimento surgido então na Alemanha se propôs a resgatar um ideal de arte e mesmo de vida que vinha sendo abandonado. E foi na época medieval e na antiguidade da europa setentrional que ele buscou suas fontes.
Os seguidores do estilo desprezavam a poesia francesa, tão rebuscada e racional, em contrapartida valorizavam a lírica popular, os versos das sagas nórdicas e germânicas, a poesia bíblica. Para os românticos alemães a poesia devia ser vivaz, pulsante, violenta! Deveria ser a expressão dos instintos humanos, com toda a sua impetuosidade e fúria! Esse ideário influenciou grande parte da cultura alemã de seu tempo, não só a literatura, e tempos posteriores.

Particularmente gosto dessa visão emotiva, embora não aceite tanto negação ao racionalismo... Aurea mediocritas... a razão tem seu espaço mas a poesia é como o amor, deve ser vibrante e intensa. Quando tentamos ser comedidos demais acabamos perdendo o verdadeiro foco das paixões, é mais proveitoso sentir intensamente o momento (lembrando que o equilíbrio é importante!). Pense com a cabeça, sinta com o coração. Não tente inverter.
Mas afinal, são apenas as impressões de um garoto.

Até breve, senhores!
Pensamento do dia: "Séria é a vida. Jovial é a arte." - Friedrich von Schiller

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Olavo bilac mais audaz

Delírio

Nua, mas para o amor não cabe o pejo
Na minha a sua boca eu comprimia.

E, em frêmitos carnais, ela dizia:
– Mais abaixo, meu bem, quero o teu beijo!

Na inconsciência bruta do meu desejo
Fremente, a minha boca obedecia,
E os seus seios, tão rígidos mordia,
Fazendo-a arrepiar em doce arpejo.

Em suspiros de gozos infinitos
Disse-me ela, ainda quase em grito:
– Mais abaixo, meu bem! – num frenesi.

No seu ventre pousei a minha boca,
– Mais abaixo, meu bem! – disse ela, louca,
Moralistas, perdoai! Obedeci....



***Pra quem chamou ele de poeta metrossexual!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

Versos esquecidos

Em certa época havia um guerreiro
Forte e nobre, de sentimentos puros.
Um donzela do Belo Povo ele amava.
Desta, seu nome ninguém lembra

Mas bela assim nenhuma havia.


Sem resposta o guerreiro esperava

Sua amada que nunca vinha.
Se por medo de amar,
ou pura indiferença,

Ninguém sabe.


Perdido em sua dor o bravo esperava

E em solidão se consumia.
A espera foi dura e seu corpo sucumbiu.

Sua corneta se calou, e seu rosto não mais se viu.


Mas de compaixão os céus tremeram

Em nome do amor que jamais morreu.


Hoje ainda se vê, nas noites de lua alva

Como um guardião noturno,
A sombra escura e fria de um lobo.

Que sob a luz prateada

Uiva pelo nome de sua doce amada.



**Escrito na capa de um velho caderno
Ah, a infância...

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Eu, caçador de mim.



Só no aperfeiçoamento diário subsiste a razão humana de viver! A disposição de progredir, de melhorar, deve ser o alvo de toda a humanidade, não só coletivamente quanto individualmente.............. Mens sana in corpore sano.... o brilho de uma mente é ofuscado pela decadência do corpo. A beleza física é deturpada por uma mente fraca. A perfeição, objetivo final e inalcançável, está na harmonia completa entre corpo e mente.
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Novo ano, nova chance, comecemos agora, que o ímpeto transformador seja nosso navio! Naveguemos em direção ao futuro............... Os homens são diferentes, uns fortes outros fracos, mas todos têm o mesmo potencial, o que diferencia um homem de outro é a busca constante por aperfeiçoamento.
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Aurea mediocritas.... a arte do equilíbrio. Mas não o equilíbrio doente dos que se embriagam com a moderação. É, sim, o equilíbrio harmônico, o prazer da pluralidade de conhecimento. Essa é minha busca, essa é minha paixão.
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Coragem de vencer a indolência, a arrogância, o medo e a ignorância. O ímpeto de derrubar todos os obstáculos. Vergar com sua própria força as colunas do destino. Eis o valor do homem.

spiro......

*A mente que se abre a uma nova idéia jamais voltará ao seu tamanho original.
Albert Einstein


terça-feira, 1 de janeiro de 2008

Promessinhas de ano novo.

Feliz ano novo, meus colegas!!

E na onda dessas promessinhas de ano novo que as pessoas fazem, resolvi fazer uma lista de livros pra ler nas férias. Será que ele consegue? tchananan... veremos.


A Utopia - thomas Morus
A arte de amar - Ovídio
Ecce homo - Nietzsche
Musashi V.2 - Japinha que eu esqueci o nome
Teoria geral do Direito e do Estado - Hans Kelsen
O positivismo jurídico - Norberto Bobbio
HP 7 - Jk
Os sofrimentos do jovem Wether - Goethe

Se eu conseguir esses já tá ótimo! Afinal quando acaba as férias, tenho sorte se conseguir ler os textos obrigatórios da faculdade.

Ai, ai, depois do dia mais preguiçoso dos ultimos tempos, amanhã começa de novo a ralação. De volta à monitoria no cursinho. Se bem que lá eu me divirto bastante.
Enfim, feliz 2008 e tenham juízo.

Até breve, mina-san.

*frase do dia: Olá taverneira, não vês que as garrafas estão esgotadas? Não sabes, desgraçada, que os lábios da garrfa são como os da mulher: só valem beijos quando o fogo do vinho ou o fogo do amor os borrifa de lava? - Alvares de Azevedo, Noite na taverna