Em essência, é isso
A dogmática jurídica aceita o sujeito de Direito como um ponto de convergência das normas. mais que isso, o Sujeito é uma construção, é a união de uma série de papéis sociais. O pai, o empregado, o contratante. A União desses papéis pré-estabelecidos define o que você é, do ponto de vista jurídico.
Mas indo além do Direito, a questão eterna do "quem sou eu" ainda me intriga. Existe dentro de mim alguma essência que é diferente da essência dentro de você? Ou somos apenas o conjunto de papéis que decidimos interpretar? Nós usamos máscaras diferentes em cada situação, isso eu já sabia, só que acreditava em uma essência por trás delas. Hoje imagino se há algum rosto atrás da máscara.
Li isso aí pela internet. É justamente por não termos essência que somos livres. Podemos assumir o papel que quisermos nessa peça de teatro que é a vida. Ainda não aceito muito bem isso e não tenho opinião formada. Mas uma coisa começa a se construir como aceitavelmente correto pra mim. Independente de haver uma essência, o meu EU se expressa tanto dentro quanto fora de mim.
Eu sou essa consciência pensante que corre na velocidade da luz pelos neurônios, que cria suas próprias leis de moral, que fala num lugar onde ninguém pode ouvir. A esse Eu, ninguém mais tem acesso. Porém também sou o cara pacato, que nunca se irrita, que fica calado, que ri e abraça só algumas pessoas. Esse é o que todo mundo vê, o único que outras pessoas podem atingir. Só que isso tudo muda. Minha moral muda, minhas conclusões mudarão, o modo como eu reajo ao mundo mudou. Então o EU de hoje já não é mais o EU de ontem?
Heráclito, companheiro de bebedeira, diria que sim.
P.S.: Lá no fundo, eu ainda acredito em essências. Mas elas podem ser moldadas.
Com algumas coisas em mim vocês podem sempre contar.
Ookami wa ookami.