terça-feira, 31 de março de 2009

Metablogagem #2


Como o dono, vez ou outra esse blog debruça-se sobre si mesmo. Olhando profundamente seu próprio ser, busca uma razão fundamental de existir.
O que eu escrevo aqui, e por que?
Confesso que eu comecei a escrever pra impressionar uma garota. Talvez eu tivesse me saído melhor se tivesse aprendido a jogar futebol direito, sei lá. Enquanto isso eu repetia pra mim mesmo que o blog era um incentivo pra estudar.

Depois isso passou e esse diário on-line praticamente virou isso, um diário. Bobagem, ficar chorando pitangas, esperando ouvir adulações que na verdade não resolvem nada. E assim foi até eu decidir não falar mais de amor, de dor, de coração e de ilusão. Dá pra reparar que a produção de posts caiu abruptamente.

Hoje, cada post sai com dificuldade. Não basta mais escrever o que eu quero. Nem tudo convém ser dito por esse meio. Ao menos do meu ponto de vista. Certas coisas não devem nunca ser ditas pra alguém senão cara-a-cara. Coisas como "Eu te amo" ou "Adeus". E isso é sério pra mim. Eu jamais trato de um assunto tão importante em um meio tão... leviano e público.

Mas por fim, imagino que talvez agora esse blog tenha descoberto seu animus. É a minha máquina do tempo. É a cápsula onde eu guardo o que aprendi, pra lembrar quando estiver perto de repetir algum erro. E tenho relido muito as lições de invernos passados.

sábado, 28 de março de 2009

Nota #17

Primeiro, faltou agradecer a D14n4, que fez o layout novo pra mim. Mais uma vez ela me ajuda com códigos incompreensíveis de informática. Quase me senti fazendo Computação Básica novamente.

Segundo, seguirei mais estritamente minha nova regra de não ficar discutindo em blogs. Sócrates dizia que é condição necessária para o debate que os dois lados estejam dispostos a mudar de idéia se for preciso. Não dá pra discutir com argumentos subjetivos e crenças que não podem ser comprovadas. Então apartir de hoje podem sentar o sarrafo ai nos comentários que eu não vou intervir (muito).

And last, but not least, fique registrado que eu detestoooo usar formas de comunicação à distância. Só quando não tem jeito. Nada substitui uma boa conversa pessoalmente. Quanto mais indireta a comunicação mais me irrita. Só isso.


quinta-feira, 26 de março de 2009

Só mais um jeito de dizer adeus.

É engraçado falar isso, porque eu nunca disse adeus antes. E agora digo justo a você que era tão importante pra mim e que, no fim das contas, vai continuar por perto.

Foi um tanto quanto difícil te derrubar do pedestal em que eu te havia posto. Fazer de você um vulto sem cor, assim como todos os outros. Esquecer não é uma coisa fácil, nem algo a que eu esteja tão acostumado.

Às vezes eu imaginava se você de vez em quando lembrava de mim. Se no meio de uma tarde preguiçosa você se pegava subitamente pensando em mim. Será que ao menos um instante você considerou como tudo poderia ter sido? Na verdade acho que não. E pra ser sincero, creio que você nunca vai se arrepender do jeito que tudo terminou. Nem eu.

Eu te fiz promessas, e mesmo que você as esqueça, eu não vou. Nunca esqueço minhas promessas. Ao menos até onde me recordo. De qualquer forma valeu a pena. Sempre vale.
Enfim, tudo um dia vira história, eu vou esquecer seu nome e você não vai mais ligar em perguntar sobre mim. Mas tá tudo bem, é a vida. De qualquer jeito, eu me diverti.
Então adeus. Boa noite e boa sorte.

"Nunca olhe pra baixo"

Durante muito tempo eu imaginei que as pessoas que não eram melancólicas ou de alguma forma danificadas, simplesmente não pensavam e/ou sentiam

Eu não via como alguém pode perceber o vazio que é a existência e não se desesperar. O filósofo do martelo já havia alertado que o abismo olha de volta, mas acho que não é o próprio abismo que devolve seu olhar. É a sensação de fragilidade, é o medo do escuro e do desconhecido. Tem gente que acaba se dando conta que simplesmente não tem nada lá. Outros criam fantasmas que assombram os cantos escondidos, se alimentando de choro e auto-comiseração.

Engraçado, lembrei de Sandman, em que a personagem Desespero, olha pra nós através de espelhos e sempre que estamos em frente a um vemos os olhos do desespero nos mirando. Interessante isso, a angústia se apresenta quando encaramos a nós mesmos.

De alguma forma, entender a vida é sofrer um dano imenso e crescer é se recuperar desse dano.

Quase sempre quem morre nesse choque é a inocência, ou a esperança.
Mas de vez em quando acontece serem a arrogância e o egoísmo a se desprenderem, quando mergulhamos no escuro que é a realidade.

sábado, 21 de março de 2009

Questão de foco

Até que ponto podemos falar que os outros são superficiais sem nos julgarmos profundos demais?

Foi o que certa vez no passado, uma das garotas mais sábias que eu já conheci me perguntou.
Devo concordar que a tal superficialidade aparece quando comparamos aquilo que realmente achamos importante com... bem, o resto do mundo.

É difícil ver graça nas coisas à sua volta quando toda sua atenção está concentrada em um foco. Daí não custa muito entender o que o minduin sentia quando disse naquela tirinha lendária que eu nunca achei: "Nada tira o sabor da manteiga de amendoim como um amor não correspondido". Claro, quando o único fim que você vislumbrava desvanece no ar, tudo fica meio tedioso. E sem sentido. E desinteressante.
Já vi isso acontecer, não é bonito.

Mas no fim das contas, penso eu que nada tem um valor intrínseco. Todos são os mais importantes e mais insignificantes seres do universo, só depende de quem julga. E da disposição de quem julga. Às vezes acontece de alguém com quem você nunca falou de repente se tornar a menina mais linda do mundo. Ou de a pessoa mais especial no mundo virar, a muito custo, mais um na multidão. A ponto de você às vezes esquecer que a esqueceu.

Acontece, tem cada coisa por aí.

domingo, 8 de março de 2009

Quixotesco, não?


Tenho cá meus pecados. Um dos menores deles é não ter lido Dom Quixote. Sim, segurem seus queixos, não li. Mas vi desenhos animados sobre ele um monte de vezes, serve?

O coitado do Dom Quixote me dá uma pena. Ele é sombra de um passado perdido, um reflexo de um tempo romantizado. O pobre louco vive um sonho em meio a um mundo desencantado. Não sei porque, mas simpatizo com ele.

Sabe, eu não gosto muito de otimismo nem de pessimismo. Duas religiões de fracos. Mas ao menos no otimismo iludido do cavaleiro espanhol é interessante ver a recusa por se render à crueldade fria do mundo. Como em um filme que assisti esses dias; dizem que quando a gente cresce, nosso coração morre. "Quem se importa?" perguntaram, "Eu me importo".

Tem coisas pelas quais eu vou brigar, pelas quais se deve brigar. Sob pena da mais pura covardia. E mesmo que de vez em quando os gigantes sejam meros moinhos, precisa arriscar né? Afinal, é necessário ter histórias pra contar. Se não der certo... well that's life, life sux, go on. Mas se é o que quero, tem que tentar.

Nem que seja só por amor às causas perdidas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nota #16

São tempos difíceis para os sonhadores. Mas não são dias para se chorar. Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho; assim diz o filme oldboy, não é? Bom, é em grande parte verdade. O mundo é um lugar duro, cheio de gente chorando, vivendo e morrendo. Dá pra evitar o desespero? Apesar disso, melhor não levar tão a sério. Já ouvi que rir demais é desespero. Talvez uma fuga. Só sei que me dá vontade de rir, quando eu olho pro mundo e vejo uma tela branca enquanto tanta gente vê... destino.

Não tem perfeição, nem perseguição, a vida simplesmente taí. Melhor vivê-la, sem se preocupar muito em dramatizá-la.