quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

More than zero

Se alguém quer uma indicação de um bom filme, recomendo Waking life. Não é filme pra quem se amarra em transformers-ninja explodindo numa perseguição de motos. Com facas. Waking life, ao menos do modo como eu vi, é um filme de discursos. São diversas pessoas simplesmente falando, sobre várias coisas e sempre acrescentando algo interessante. E a tirada que eu não consigo esquecer, a que achei mais marcante no filme é a fala "O abismo entre, digamos, Platão ou Nietzsche e um humano comum é maior que o abismo entre um chimpanzé e um humano comum". O desconcertante é que parece verdade.

Por que um numero assustadoramente pequeno de pessoas foi capaz de escrever seu nome na história, enquanto para a maioria a existência parece ser "uma fútil adição de zeros" ao nosso conhecimento? Ver as coisas dessa maneira pode ser um tanto angustiante. Será que dá pra garantir que você será uma desses poucos que seguram uma tênue vela no meio da escuridão geral? Ser pouco melhor que a maioria não é difícil, apesar de 50% das pessoas estarem em algum ponto da média para baixo. Mas como ser tão grande e relevante quanto o punhado de personalidade sobre os quais aprendemos na escola?

Pequenos grandes homens.


Pode parecer que uma vida só se completa gravando suas iniciais na memória da humanidade, seja com carinho ou com sangue, contudo, o fim da humanidade não precisa ser necessariamente deixar seu rosto pra posteridade. Todos, sem exceção tem algo incrível pra mostrar. A maioria apenas não sabe. Ou, mais provavelmente, nós é que não sabemos julgar. Afinal, quem pode julgar a futilidade alheia? Não será presunção demais condenar a massa ignara, desconsiderando que você pode estar no meio da patuleia? Não, a medida de um tempo bem vivido precisa ser algo além do veredito do tempo, ou da prepotente visão pessoal. Acho que me resta lembrar que a existência só se justifica como fenômeno estético, nas palavras um senhor já citado. Dessa forma, fica mais fácil pra mim responder aquela pergunta: Como pessoas comuns se tornam extraordinárias?

Fazendo da vida uma obra de arte!

sábado, 28 de novembro de 2009

Nota #20 - ou Longe daqui

É mesmo duro acordar um dia e descobrir que você cresceu um medroso. O medo de machucar os outros virou medo de se comprometer, pura covardia. Esse jeito de olhar as coisas de fora, às vezes fingindo que não é parte do cenário nasce da certeza de que é melhor perder e aguentar sozinho do que arriscar e machucar o outro. Juro. Mas pensando bem, o certo a fazer é bem diferente. Afinal, experiência requer engajamento.

Até hoje resolvi os problemas indo pra longe deles, abrindo caminho pra deixar o tempo passar. Assim é fácil. A 30.000 pés o tempo é sempre bom. Mas desde quando eu prefiro o caminho fácil? O "jeito mais simples" é um privilégio que nunca tive, felizmente. Acho que vou tentar fazer certo daqui pra frente. Deve ser agora que eu pediria desculpas às pessoas que sofreram de algum modo com a frieza que eu usava como panacéia. Talvez faça isso sim, mas não agora. E com certeza não aqui.

sábado, 14 de novembro de 2009

Cada um de 500 dias



Se precisasse, eu definiria a vida como complexidade e contingência. Contingente é aquilo que não é impossível, mas também não é necessário. Já complexo é aquilo que tem mais possibilidades do que podemos controlar. É o tipo de coisa que nos incomoda, nós que procuramos tanto uma certeza, uma certa solidez. Nem sempre o mundo foi assim, mas hoje é.

Negar a incerteza que nos cerca é a defesa mais comum. Nos enganamos, agarrados firmemente em alguma crença ou esperança que só tem fundamento em nossas próprias cabeças. E quando esse fiapo de constância se desfaz, não sobra nada além de desespero. Isso é o que acontece com Tom, o personagem de Joseph Gordon-Levitt no excelente "500 dias com ela". O rapaz é um romântico desses incuráveis, cresceu ouvindo sobre o amor nas músicas melosas das rádios e nas comédias românticas da TV e por isso acredita no amor verdadeiro, em encontrar a garota certa e ser feliz pra sempre. E quando ele encontra Summer (Zooey Deschanel, chuchu), imagina ter se deparado com a tão falada mulher de sua vida. O problema é que Summer não é bem o tipo de garota que se apega. A apresentação feita pelo narrador representa perfeitamente como ela é, "uma garota que só ama duas coisas: seu cabelo e o modo como pode cortá-lo sem sentir nada". Ela não acreditava nessa história de amor e não era muito ligada a relacionamentos. Ou ao menos ela se via assim.

1 ano, 4 meses e 15 dias é o tempo necessário para que Tom conheça, goste, se apaixone, ame, se magoe, chore, odeie e supere Summer. E depois desses 16 meses e meio, acaba não aprendendo nada na verdade. Desde o começo ele é infantil, sua irmã mais nova é que lhe dá os conselhos para lidar com a amada, mais que isso, ele rapidamente assume o papel que em um filme do gênero normalmente seria da mulher. Ele chora e sofre pela frieza de Summer e aparece sempre como o mais frágil dos dois. É algo incomum em um filme, mas irritantemente normal na realidade. Summer, por outro lado, tem a forte consciência de que os relacionamentos simplesmente um dia acabam, mesmo sem culpa de ninguém. A vida simplesmente é assim. Do ponto de vista dela, portanto, é melhor não sentir nada por ninguém, ao menos nada muito profundo, e assim evitar uma dor certa.

Isso tudo pode ser difícil de ver em um filme, mas é quase regra na vida real. Por algum motivo, nós assumimos a postura de uma criança mimada diante da volatilidade que encaramos por aí. Nos seguramos firmemente a um sentimento ideal e fazemos de tudo pra não deixá-lo ir, mesmo que isso signifique matar a liberdade do outro. E então ficamos perdidos encarando nossas mãos vazias quando a ideia se desfaz no ar. E daí fazemos o que? Esperneamos e choramos, como isso pudesse de alguma forma resolver a situação. No lado oposto, a Summer não passa da versão exagerada de metade da população mundial, que evita o apego pra evitar a dor, que prefere não sentir nada a ter que aguentar o sofrimento que vem no mesmo pacote que a felicidade.

A grande dificuldade em caminhar no terreno escorregadio que temos sob os pés é que insistimos em olhar pra frente, temendo ou esperando pelo futuro, ou em olhar pra trás, nos arrependendo ou suspirando pelo passado. Tom era incapaz de aproveitar o tempo que passava com Summer porque estava sempre se preocupando se eles continuariam juntos depois. Ele não vivia o agora, ocupado que estava com o amanhã. Enquanto isso, Summer tira o máximo dos momentos com o rapaz, apesar de sentir falta de uma certeza que acaba encontrando só no fim do filme. Não sei bem que certeza é essa, afinal se eu soubesse teria uma resposta que todos os homens procuram. Mas se fosse chutar, diria que Summer queria sentir que aqueles momentos, ou melhor, que o sentimento por trás deles, se repetiriam sem perder força. E ela não é fria ou má por isso. Ela é como todas as outras garotas são e sempre foram, talvez de maneira caricaturada, apenas.

É por isso que não culpo a Summer pelo sofrimento de Tom. Ele se machucou tanto por se recusar a entender que a vida nunca nos prometeu nada, que estamos todos sujeitos a amargar algumas perdas dolorosas. Mas isso não é motivo para dar razão à ela e evitar envolvimentos. Pelo contrário, a consciência da fugacidade possível e provável das relações só aumenta a necessidade de experimentar com intensidade, de aproveitar o que temos da melhor maneira. Com o foco no agora, podemos viver bem cada instante do que talvez - e só talvez - dure indefinidamente.

E mesmo em 500 dias ele não entendeu isso.

sábado, 24 de outubro de 2009

Vencer!


Olhar o tempo passando é um luxo. Sim, o tempo, esse que me assombra. Essa que é minha obsessão. Eu até mato o tempo, mas é o tempo que me enterra. E o meu tempo passa no ritmo preguiçoso de um carro de boi, que irrita todo mundo que corre. Eu ando no compasso da mais intencional displicência, pra poder aproveitar bem esse tanto que dá pra olhar do mundo. Mesmo caminhando às vezes de mãos pensas, lembrando do que eu perdi, esse sorriso bobo não me larga o rosto. E vez ou outra ele se abre mais por causa da lembranças de coisas simples e raras pra mim.

Só que mesmo essa alegria desmedida não significa que eu acho que tenho tudo. Nem que espero um mundo mais fácil pra amanhã. Nunca fui de alimentar muita esperança. Esperança é veneno. Te faz se acostumar com o que você tem e faz esquecer de se esforçar. Pior, faz acreditar no que era imaginação. E sabendo disso, nem esquento com as coisas daqui pro futuro. Se vou ganhar ou perder, essas coisas bobas. Deixo de lado a ideia de vencer num final feliz, pra ganhar um pouco a cada manhã. E o tempo continua lá, me azucrinando e lembrando de quão pouco tempo eu tenho. "Corre, vai, não enrola", ele me diz. Mas eu não ligo. Já aprendi a não esquentar com o tempo que já foi e com o que ainda não chegou. Já não fico mais louco pra ser um vencedor. Prefiro levar a vida assim, devagar. Só pra não faltar amor.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Nota #20 - ou só mais uma nota inútil

Blog são coisas perigosas, justamente porque um mínimo de pessoalidade já o torna parte de você. Quando se escreve uma só frase em primeira pessoa, é u pedaço da própria alma que se coloca ali à disposição de todo mundo, pra ser dissecado, analisado e julgado. Sério, é preciso ter coragem, quem tem blogs pessoais é bem corajoso. Uma coragem que eu de certa maneira invejo.
Invejo porque este blog que vocês estão lendo encontra-se obviamente em crise. Não exatamente uma crise de criatividade, ideias pra escrever eu até tenho. A pertinência delas é que é questionável. Só pra constar, tenho tentado pensar em que formato quero que este blog tenha. Portanto, peço paciência e que vocês não me abandonem. Ah, olha só, nem sou blogueiro profisional e já estou de mimimi como eles quando não têm o que postar.
Mas não é bem esse o caso. Eu só estava pensando, aqui ouvindo "O velho e o moço", sobre as coisas que eu poderia dizer aqui mas não devo. Não por vergonha, ou mesmo pra evitar elocubrações desnecessárias. Apenas porque são coisas pra serem ditas e não escritas. Talvez uma medida imprescindível pra se escrever é saber o que não se escreve. Aliás, cada mensagem tem seu canal certo.
Isso é interessante, porque tem coisa pra se escrever pra internet inteira ler, outras que se sussura com cuidado.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Nota #19

É muito fácil ser duro. Não precisa muito esforço pra parecer uma pessoa gelada, sem sentimento, dessas com quem não se puxa papo na fila do banco. Talvez ser assim distante seja da natureza de algumas pessoas. Por outro lado, como me disseram, toda essa frieza e suposta firmeza podem ser apenas um jeito de esconder carência e fragilidade. Pode ser, até que faz sentido.

Sempre pensei na metáfora de as pessoas construírem muralhas, fortalezas e um milhão de defesas pra não se machucarem. Só que a parte mais frágil não dá pra proteger. Mesmo com todo o cuidado, um beijo ou um sorriso despretensioso derrubam toda a aparência de força. Ou não, ainda acredito naquelas pessoas que não tem coração, simplesmente. Devem existir.

Mas assim, pra maioria de nós tem alguma coisa que te pega de surpresa e te põe a gaguejar ou te deixa sem reação, meio que perdido. Pode ser uma ligação sem motivo, um carinho pra quem não tá acostumado ou um desenho que alguém te faz. Sabe, essas coisas pequenas, que te fazem sorrir tão forte por dentro que você nem lembra o que dizer.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A semelhança entre conceitos e linguiças



Conceitos são como o coração desse pandinha amargurado

Uma das primeiras coisas que deviamos aprender num curso de humanas é o que é um conceito. Sim, o conceito de conceito. Já vi muita discussão acontecer porque as pessoas não sabem ao certo o que é um conceito. Aliás, quase todo debate infrutífero surge daí.

O conceito por si é como uma caixinha vazia... ou uma linguiça. São vazios e precisam ser preenchidos com alguma coisa. É só uma palavra que a gente preenche com um significado. Dessa forma, o mesmo conceito pode ter diversas definições pra cada pessoa e, normalmente, cada disciplina dá significações diferentes pra seus conceitos.

Então, só queria mesmo lembrar que pra um hipotético debate honesto - no qual já não acreditando tanto - o primeiro passo é afinar conceitos. Em geral as pessoas discutem porque estão usando conceitos diferentes pra mesma coisa, ou dando significados diferentes pro mesmo conceito. Ou seja, quase todo bate-boca acontece porque as pessoas estão usando linguagens diferentes. Cuidado com isso!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

Filosofia prática comendo o miojo

Não me agrada a ideia corrente de que filosofia é algo abstrato, sem função, que não se aplica a nada. Criar ideais, desenvolver noções imateriais, abstrair enfim, tem seu valor. Mas acho que a filosofia não para ai. E digo isso com a propriedade de quem entende nada de filosofia.

No post anterior disseram "Po, crescer juntos é uma ideia bacana e tal, mas como se faz isso? Na teoria é fácil" ou coisa do tipo. Pois bem, de fato, a mera afirmação não tem grande valor. Então vamos pensar em como o que eu disse vira prática.

Certo, pra começar é bom definir o que seria esse crescimento. Particularmente gosto de pensar que se refere a um aumento na sua potência, tida como o leque de possibilidades que a pessoa tem de afetar e ser afetada pelo mundo. Então te faz crescer aquilo que aumenta a intensidade da sua experiência com o mundo e o número de maneiras com que você pode se relacionar com ele.

Com esse conceito em mente, entendo que duas pessoas crescem juntas - e aplico isso a qualquer relacionamento - quando de alguma maneira ajudam uma a outra a experimentar a vida de maneira mais intensa. Um exemplo: conheci um jovem que namorava uma bela garota dançarina de Zouk. E como dançava bem a menina! Só que o moleque não sabia mexer as cadeiras e morria de ciúmes da cocota com outros caras. O que o bendito do rapaz resolveu fazer? Proibiu a menina de dançar! É, mas foi-se o tempo em que dava pra proibir uma mulher de alguma coisa - bons tempos de Brasil Império - o resultado é que os dois se separaram.

Agora percebam; a atitude certa para o garoto seria ele aprender a dança. Isso, além de resolver o problema de ver sua namorada o tempo todo com outros sujeitos, ainda traria um aumento de potência pro próprio rapaz, que teria contato com uma forma nova de experimentar o mundo. Mas a atitude dele foi contraproducente. Além de ruim pra si mesmo, ao se privar do novo, ainda tolhia da garota as capacidades dela.

Prender alguém é algo que não dá certo. Nietzsche, em sua genealogia da moral, dizia que não se pode esperar que a força se exprima como fraqueza. O poder só se expressa como poder, tentar que alguém exerça sua potência é justamente ir contra isso.

Um grande amigo certa vez me disse: "Preciso de uma garota que me estimule". E eu concordo totalmente. Precisamos de pessoas que nos façam querer ler, dançar, correr, aprender, brincar, viver! Uma relação ideal então é aquela em que ambos mudam um ao outro, mas sempre pra melhor e nunca de uma vez. Porque como ensinou Spinoza, mudar é morrer.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Filosofia barata em 2 miojos

A existência só se justifica como um fenômeno estético. Assim Nietzsche fundamentou o maior ataque já realizado contra a moralidade moderna. Até agora estou tentando entender bem o que isso significa, e pode apostar que ainda vou escrever um pouco mais sobre isso depois que compreender melhor, mas agora acho interessante notar que, ao contrário do que dizem, não há niilismo em Nietzsche. Se ele retira a medida da ação do que é bom, ele a desloca para o que é belo. O que mais me atrai em sua filosofia é que o homem, desse ponto de vista é transformação, uma etapa no caminho pra algo melhor. Somo um passo entre o animal e o além-homem, ou nas palavras do filósofo, "Somos uma corda sobre um abismo".

O devir está na natureza humana, somos constante mudança, e impedir isso é destruir toda a potência que há em alguém. Potência no sentido que foi forjado por Spinoza. A capacidade de afetar ativamente o exterior. Por essas e outras é que eu concordo com Woody Allen no filme Annie Hall, em que ele compara relacionamentos a tubarões. Ambos precisam estar em constante movimento para sobreviverem. Tentar parar isso e domar o outro é tolher sua capacidade de crescer e creio sinceramente que a ideia de um relacionamento é que as pessoas cresçam juntas. Se uma delas não dá valor ao outro, ou o vê como propriedade sua e não como um igual, o que sobra nas suas mão é um tubarão morto.

E é assim que em um post escrito em 6 minutos eu junto Nietzsche, Spinoza e Woody Allen.
Boa, campeão!

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Externalidades

Olá, muito prazer, eu sou a pessoa mais arrogante, orgulhosa e cheia de si que você jamais irá encontrar.

Sou tudo isso, porque acho que posso fazer qualquer coisa. Porque acredito que não há limites pro que dá pra fazer, basta querer o bastante e se esforçar pra isso. Muitos acham que pensando assim me torno o candidato perfeito a sofrer infinitas frustrações e desapontamentos. Algumas pessoas até se irritam comigo, quando digo que não sou o suficiente, que ainda preciso me tornar melhor, ou coisa do tipo, antes de conseguir o que eu quero. Então acho que é válido tentar explicar mais ou menos como é que eu vejo isso tudo.

Obviamente eu não acho, nem espero, que todas as minhas vontades sejam satisfeitas. Já passei da idade pra isso. Quando eu digo que é possível alcançar qualquer objetivo estou mentindo. Qual a surpresa, pessoas fazem isso. Não acho realmente que eu posso ter tudo, penso, na verdade, que tendo isso em mente, o esforço pra conseguir vai te levar a algum lugar, mesmo que não seja aquele em você tanto queria estar. Um exemplo bem simples: no filme Beleza Americana, o tio de meia-idade se apaixona pelo broto amiga da filha dele. Primeiro ele fica perplexo, gaguejante. Até certo dia, em que ouve a menina comentando que até daria mole (e outras coisas) se ele fosse mais musculoso. Daí pra frente o cara resolve ser menos pamonha, faz musculação, se alimenta melhor, fica mais corajoso e vivo. No final, ele nem pega a cocota, mas e daí? Ele agora é um homem melhor, mais satisfeito consigo mesmo, mais feliz. Ele usa uma paixão descontrolada pra crescer.

É por isso que eu não me importo em acreditar que eu preciso crescer mais antes de conseguir alguma coisa. Não é senso de inferioridade. É uma crença forte de que eu posso sempre ir um pouco além. Acreditem, eu sei o que é não conseguir o que se quer. Eu sei o que é se esforçar e continuar achando que você é pequeno e insuficiente. Porém, mais importante que conseguir o resultado esperado, é avaliar tudo em que você de fato progrediu.

Ok, pode dizer que no fim das contas a garota de quem eu gostei por anos nunca olhou pra mim. Mas pra chamar a atençao dela eu ganhei uma vaga na universidade e abandonei a vida de gordinho de óculos.

Não me parece exatamente um fracasso total.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Boys don't cry

Garotos não choram, todo mundo já ouviu isso. São palavras cruéis, que um dia vou repetir para meus filhos também. Garotos não tem o direito de reclamar. Não existe complacência para os homens, nosso único dever é aguentar qualquer coisa e ainda fazer cara de quem não sentiu nada.

Mais ou menos assim

Ontem assisti "Closer - Perto demais". Já ouvi várias pessoas com ideias diferentes sobre o filme e o que ele diz sobre relacionamentos. Particularmente, não me surgiu nenhum esclarecimento mais profundo sobre o ser humano. Mas vi como é patético um homem que chora, que pede, que se ajoelha. Mais ainda quando é um cara com potencial.

Podem me chamar de machista, mas ainda acho que um cara tem que ser estável, decidido e forte. Não que não tenha sentimentos. É só ter uma certa consciência de que se lamuriar não resolve muitos problemas. Ele tem que estar pronto a abraçar a garota e passar alguma sensação de segurança. Ou de aguentar com resolução, também, se não houver garota nenhuma pra abraçar. Acho que nisso, antigamente, os homens eram mais homens. Não sei porque nossos pais tinham um capacidade incrível de parecerem infalíveis. Creio que muito do significado de ser um homem de verdade está aí, em passar confiança.

É por isso que sinto aversão absoluta quando eu vejo um sujeito se humilhando ou chorando pela vida que não é capaz de ter ou agindo de maneira covarde. Creio que sinto isso muito por medo de ser igual a eles. De me afirmar usando pessoas mais fracas e me dobrando ante uma vontade forte. De implorar pelo que deve ser entregue por escolha. Opa, estou caindo na minha própria armadilha de, como me diz um amigo, "absolutizar" minhas opiniões. Tudo bem, nem todo homem precisa querer ser uma rocha. Só os que valem algum respeito =)

Eu bem que gostaria de ser mais forte, de ser mais como se deve ser. Ainda sou um garoto, mas eu cresço e ainda chego lá. Minha promessa adiantada de ano-novo: prometo ser mais resoluto.

Porque um homem precisa ficar firme, enquanto o mundo todo treme.


**E essa é a cara que se faz pra nossa geração de molengas:



domingo, 30 de agosto de 2009

Amok time

Um vulcano é um ser lógico, frio, calculista. Sua filosofia é a do mais estrito utilitarismo, eles deguem o rígido imperativo categórico com toda a crueldade kantiana. Mas engana-se quem acha que essa raça, que se tornou símbolo do universo Star Trek é incapaz de qualquer sentimento.

O conceito por trás da conduta maquinal dos vulcanos é que sua espécie fez uma escolha pelo auto-controle, como é dito no primeiro filme da série eles "enterraram nas areias seus instintos". O que não é tão verdadeiro, pra quem lembra do "pon-farr". Sua decisão foi por uma racionalidade que sobrepõe as emoções e põe em dúvida sua utilidade. Basta lembrar do 4º filme, em que, ao ser questionado como se sentia, Spock exitou, não quanto ao conteúdo da pergutna, mas quanto à sua pertinência. O certo é que ele não era vazio de emoções, apenas não via razão para considerar sobre elas.



Superar as paixões desse modo já foi o anseio de diversos pensadores. É bem comum acreditarem que a pureza do pensamento racional é mais eficiente que o turbilhão de emoções que costuma varrer a cabeça de uma pessoa normal. Também já pensei assim. Mas agora, acho que concordo com uma premissa bem recorrente na série clássica do jornada nas estrelas*: as paixões definem o homem.

Minha meta agora não é tanto a frieza matemática dos vulcanos, mas sim uma certa placidez, um desapego que permita não conter o fluxo de sentimentos, pelo contrário, conduzí-lo. Canalizá-lo eu diria, se não fosse essa carga de misticismo que a palavra vem carregando. Enfim, seria bom ter um coração disciplinado e calmo como o silêncio eterno dos espaços vazios, mas o caminho pra humanidade é sentir, com intensidade e fúria. Pois pra ser humano, é preciso ser uma tempestade.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Do you need anybody?

Sorria! você tem tudo o que precisa!
Pena que a gente quer muito mais, né? Queremos ser muito mais do que ter. Sim, pode dizer que esse é um discurso bonitinho mas vazio. Mas não custa nada tentar convencer.

O que todo mundo quer, no final é quietude de coração. Um sentimento de completude, talvez uma forma crônica daquela euforia do dever cumprido. Todos querem saber responder algo além do próprio nome quando lhe perguntam "Quem é você?". Até o mais pragmático tenta se definir, mesmo que seja através do que possui. Aliás é bem comum falar que se quer ter uma namorada, quando o desejo verdadeiro e o de ser amado, ou coisas do tipo. Sempre confundimos ter e ser.

Realmente, ninguém quer passar a vida toda agradecendo por não ser tão ferrado quanto poderia ser, todo mundo quer algo mais. Todo mundo quer ser astronauta, bombeiro ou agente secreto. Ter um carrão ou ser famoso. Não tem problema, a insatisfação é que traz progresso mesmo. Então eu até penso "tenho tudo que um monte de gente quer, eu deveria estar satisfeito. Desse jeito quando eu ganhar o que quero agora eu vou ficar triste de novo e querer ainda mais.. blá blá blá", mas não há nada de errado em ambicionar sempre mais. Eu queria conseguir chegar até aqui, agora quero mais e depois vou querer mais ainda. O que importa é direcionar a vontade pra um lado e fazer o melhor que puder. Mesmo sabendo que depois vai querer ir mais longe ainda.

Então, afinal, o que você quer, o que você precisa?

I need somebody to love.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Vou dominar o mundo.



Acordei ontem e percebi que era um estudante de Exatas frustrado. Me peguei admirando a elegância das poucas e toscas partes da física que eu ainda consigo entender, senti a cabeça refrescada depois de ler um pouco do meu livro de cálculo de mais de 40 anos. Simplesmente não dá pra entender como as pessoas detestam tanto as ciências naturais. Uma equação ou uma questão difícil bem resolvida podem ser tão catárticas quanto a arte e causar tanta euforia quanto decepar a cabeça de um orc com sua espada vorpal.

No dia anterior eu me dei conta de que havia nascido pra desenhar. Me deu aquela vontade louca de largar tudo e arriscar a vida de desenhista. O espírito prático falou mais alto. Nem de longe me acho tão talentoso.

Hoje eu mergulho nos clássicos, fico extasiado com o edifício teórico construido por gerações de sábios em dois mil anos de história do pensamento. Tanto quanto a elegância precisa do universo, me encanta o caos equilibrado da sociedade, regida por leis tão obscuras quanto as que regem as galáxias.

A lição é que jamais serei 100% feliz, qualquer que seja a área que eu estude. Simplesmente porque um só campo do conhecimento é algo muito pequeno pra mim. Nunca vou saber tudo de Direito, Filosofia ou Física, mas eu quero saber. Eu só quero abraçar o mundo. É pedir demais? Meu único problema é que a arte é longa, mas a vida é breve. Sou imperfeição, a criatura mais marcada pela angústia, justamente por querer tudo e não poder nem entender quase nada. Minha vontade é infinita, mas meu poder e entendimento são finitos e essa é a fonte de todo sofrimento.

Porém, mais que levar ao niilismo e inércia, a aceitação de nossa pequenez deve ser combustível pra viver intensamente. Saber que jamais atingirei a completude do ser, independente de quão imensa seja a minha vontade de poder, deve ser um incentivo para sorver da vida o máximo de possibilidades que eu puder. Não poder ser tudo me faz tentar ser o que puder. Assim é a filosofia do martelo.

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Estatísticos voam mais tranquilos

Depois de uma queda de avião que repercute muito na mídia, eu sempre ouço pessoas falando sobre como estão assustadas pra viajar, ou sobre como sentiram calafrios só de pensar em voar depois de um acidente tão horrível.
Eu costumo respondê-las dizendo que os dias depois de uma queda são os melhores dias pra se viajar. É simples, qual a chance de dois acidentes acontecerem em tão pouco tempo?

Na verdade, ambas as afirmativas estão certas e erradas. Depende de quão rigoroso você é.

Usando probabilidade simples, nenhuma das opiniões faz sentido por que as quedas de aviões são independentes. É como em um jogo de cara-ou-coroa. Se eu jogar a moeda duas vezes e obtiver CARA duas vezes, qual a chance de tirar CARA pela terceira vez?

CA , CA , CA
1/2 * 1/2 * 1/2 = 1/8

Na verdade não. As duas primeira moedas não influenciam o comportamento da terceira assim, a chance de conseguir CARA uma terceira vez é a mesma de sempre, 1/2.

Por outro lado, as afirmativas do começo pode estar ambas corretas porque acidentes de avião podem sim afetar a ocorrência de novos eventos do mesmo tipo. Depois de uma fatalidade, a segurança na aviação civil tende a ser reforçada, tornando as viagens mais seguras, ao menos por um tempo. Porém se o acidente tiver ocorrido por falhas na estrutura dos aeroportos ou por defeitos que surjam devido a idade das aeronaves, é provável que novos acidentes ocorram em pouco tempo.

Assim, é bom lembrar que às vezes os cálculo puros levam a resultados aparentemente contra-intuitivos. Mas a realidade depende de mais variáveis do que conseguimos colocar num cálculo.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Sobre meninos e lobos


É tudo questão de autoconsciência.

Chega um tempo em que não se questiona mais a lógica na vida. Um tempo em que não se olha mais pra fora buscando uma resposta. As palavras difíceis começam a parecer ridículas e as figuras sérias com seus óculos grossos e vozes empoladas lembram mais os palhaços de uma inocência perdida. A maturidade chega lenta e preguiçosa, e você olha pra si mesmo. É um tempo de ver e viver erros e de se julgar. Sem fantasias, sem adornos. Simplesmente viver.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo que não tem tempo pra começar nem pra acabar. Dia 10 já passou há muito, depois de amanhã é quarta-feira e quinta ninguém sabe o que será. Não faz diferença, duas décadas ou oito, não importa quando é que se aprende uma lição. O importante é que se aprenda.

E o que fica mais claro após esse quinto de século é que não aprendi quase nada. Talvez pudesse me sentir mais sábio, por saber o segredo que ninguém sabe; a simples ideia da ignorância. Porém, isso não é lá coisa de se orgulhar tanto. É quase uma obrigação. Perceber a própria pequenez, olhar os próprios erros e tentar evitá-los ainda me parece algo bem razoável. Apesar de muita gente subestimar os erros, eu continuo errando sempre. Pra errar mais. Acho que não me arrependo dos meus destrambelhos, cada um tem seu valor. A menina que chorou, os 32 "eu te amo" na mesma noite, a que disse adeus sem olhar pra trás. Cada momento e pessoa, mesmo os que te deixam mal, são importantes pra determinar o caminho que se segue pra ser feliz.

Quando se chega à beira da felicidade que sempre se esperou, é que a gente percebe que não é bem o que queria que ia nos deixar feliz. Mais ainda quando tudo o que você queria chega à distância de um beijo e de repente se desfaz no ar. E mesmo assim você continua com uma inquietante alegria. Com o sorriso fácil de uma criança. Pra mim, esse ser criança foi mais que simples sorrir. Foi descobrir um mundo de coisas, foi me sentir um menino bobo e mesmo tempo algo conflitante, bem mais velho e perigoso.

Alguns me conheceram menino, a estes foi decepcionante descobrir a crueldade, a frieza e tudo o mais que espreita num canto escuro de mim, sob a forma de um lobo. Outros me viram como esse lobo. Estes se decepcionaram ainda mais. Pois acabaram por descobrir a irritante fraqueza, a imaturidade e a ingenuidade que me tornam tão pouco.

Talvez seja inevitável um certo desapontamento no fim. Todo mundo espera algo ou alguém, mas eu sou nada e é isso o que me convém.




Happy shocking birthday

Hoje, décimo dia do mês de julho, comemora-se o aniversário de uma das figuras mais polêmicas, confusas, brilhantes e incompreendidas da História.
Nikola Tesla.
Tesla acendendo a luz para ler.
Esse senhor que nem de longe recebeu o espaço que merecia nos livros era o estereótipo do cientista louco. Ainda bem que ele não tinha planos de dominação global. Ou não... já ouviram falar na ideia dele de transformar o planeta todo em um imenso condutor elétrico? Creepy. Enfim, muito já foi dito sobre ele. Se houver interesse, lei mais sobre ele nos links abaixo.

"espalhou luz sobre a face da Terra"


Fica ai minha humilde homenagem ao meu cientista favorito.

Links:
http://pt.wikipedia.org/wiki/Nikola_Tesla
http://www.ceticismoaberto.com/ciencia/tesla.htm
http://www.exatas.com/fisica/tesla.html

domingo, 5 de julho de 2009

Medo de ter medo

O que é que segura as pessoas? O que as impede de levar uma vida menos ordinária? Por que, repentinamente você se vê todos os dias acordando com alguém e tomando um café sem graça, papeando sobre notícias desinteressantes do jornal?

Acho que deve ser o medo.

De algum jeito, todo mundo deve ter medo de ficar sozinho, de ser enganado, de decepcionar ou de ser rejeitado. Provavelmente a falta de coragem é a corrente que segura a fera rosnando escondida no fundo das almas. Acho que não deve fazer muito sentido se poupar daquilo que torna a vida trágica. Por que não sair agora mesmo e falar de vez pra alguém importante: "Droga, eu te amo!"?

Seria melhor ter pavor da rotina, tremer só de pensar em como seria ficar preso em sua própria vida, oprimido pelo cotidiano sem sal. Esse é um dos meus maiores medos. E aos pouquinhos ele vai acabar sendo maior que o temor de viver por completo. E a coleira do lobo vai se afrouxando.

Provavelmente, de todas as emoções, o medo é a mais irresistível. Mas assim como qualquer paixão, é ao mesmo tempo o que nos prende e nos liberta. O importante é saber do que ter medo. O medo de ser mais do mesmo é o que torna alguém extraordinário.

Afinal, não sei quanto aos anjos, mas é o medo que dá asas aos homens.

sábado, 27 de junho de 2009

A lógica da incerteza


Uma vez li sobre uma versão diferente do já batido amigo oculto no fim do ano. Eu achei mil vezes mais divertida, chama-se "amigo oculto quântico".

Funciona assim:
Digamos que dez amigos vão participar. Você pega dez caixas e dentro de cada uma põe os nomes de todos os dez amigos. Cada um leva um presente aleatório, o sorteio só acontece na hora da entrega dos presentes. Nesse momento, abre-se a primeira caixa e o presente vai pra pessoa sorteada. Essa caixa é descartada e a próxima pessoa a ser presenteada é sorteada tirando-se o nome da segunda caixa. E assim vai até que um nome tenha sido tirado de cada caixa.

Achei essa versão genial porque ela é uma metáfora quase perfeita pra vida. Porque, caso não tenham percebido, nessa versão de amigo oculto você nunca sabe o que vai ganhar e, o mais legal, é possível que uma pessoa só ganhe todos os presentes e o resto do pessoal saia de mãos abanando! Diz ai, se não lembra um pouco a experiência cotidiana...

Não acredito que haja um caminho definido na vida. Um destino programado ou uma consciência externa te sacaneando ou premiando arbitrariamente. A vida, meus caros, é um sistema caótico e complexo, indefinível senão em termos de probabilidades. E esse sistema sofre a influência de um zilhão de variáveis e constantes. E, contrariando alguns ao concordar com Lost, nós somos uma variável nessa equação. O modo como agimos e as escolhas que fazemos altera os resultados. Claro que não é só nosso livre-arbítrio que determina o andar das coisas. As outras incontáveis variáveis estão ai pra garantir as infinitas possibilidades do ser. É bem daí a famigerada sorte.

Mas o que o amigo oculto quântico bem pode ensinar é que às vezes você não ganha nada enquanto outros levam os presentes legais, mas isso não quer dizer que o universo te odeia, é apenas um dentre um número enorme de resultados possíveis. E é justamente a possibilidade de se ferrar que torna vitória tão significativa. Então como ficar com raiva, ou rancoroso quando algo não dá certo? É o risco de errar que faz valer a tentativa de acerto.

Se você não está disposto a perder, nem vale a pena jogar.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

The blues stills blue

Talvez eu seja um sádico, mas os rostos mais lindos que eu já vi carregavam tanta melancolia! Pensei hoje em como isso é curioso. Todo mundo prefere pessoas alegres e sorridentes, eu no entanto não consigo deixar de admirar uma certa nota de tristeza.

Não, minto. Não tenho absolutamente nada de sádico. Detesto a dor em outras pessoas. E esse meu indesejável senso de dever me faz muitas vezes preferir me machucar, aguentar toda a dor, pra não chatear outra pessoa. Bobo que sou. Há algum tempo eu me perguntei porque deveria fazer isso. E a resposta veio de pronto; porque eu aguento. Talvez eu seja forte, ou talvez não dê pra machucar uma pessoa sem coração. Mas eu devo ser mesmo um tremendo idiota nessa área. De um jeito ou de outro, as pessoas acabam tristes.

Tristeza é o que você sente quando acha que perdeu a pessoa certa, tristeza é um negócio que dá quando você não consegue aquilo que faltava pra tudo ficar perfeito. E tristeza também é o que você sente quando percebe que aquela felicidade de comercial de margarina está longe de ser a regra.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Alceu & as comédias românticas

Um de meus grandes amigos, um sujeitinho chamado Alceu, certa vez me disse: "Não assista comédias românticas, elas te fazem acreditar em algo que não existe". Pobre coitado, eu achava que ele falava do amor. Mas a algum tempo eu entendi, o que não existe é mágica!

Quer dizer, não a mágica que esses filmes mostram. A realidade é um pouquinho mais sem graça do que te dizem. Se você quiser que o pôr-do-sol seja um enorme GIF meloso cheio de glitter é melhor começar a se esforçar porque a mágica e a gente quem faz. Sinal disso é que maquiamos a realidade do jeito que achamos melhor e no frigir dos ovos acaba que cada um vive no mundo que escolheu. Isso é hiperrealismo, colorir a vida com todas as tonalidades felizes, de acordo com o próprio daltonismo.

E como toda crítica se volta ao próprio crítico, não deixo de notar que eu acabo lembrando sempre das situações que mais parecem atos de um drama shakespeariano do que simples acontecimentos de minha vidinha pouco movimentada. São os atos falhos de alguém que aprendeu a amar bela e tragicamente, mas nunca entendeu os caminhos dos meros - e felizes - mortais.

Eu não sou tão certinho, nem tão quixotesco, o céu não é tão azul, a poesia tão profunda nem os churros tão bons assim. Mas é assim que eu desenho o meu mundo, o hiperreal que eu construi. E mesmo com todo mundo inventando a vida todo dia, ela não vai ser tão mágica como aqueles filmes mostram. Mas nem é isso a parte chata.

O verdadeiro problema da vida é que ela não tem trilha sonora.

domingo, 14 de junho de 2009

Não sonho com ovelhas elétricas.

Se todos os dias um cara substituísse parte de seu corpo por uma máquina, e continuasse assim até que no final seu cérebro fosse trocado por um processador, mantendo todas as memórias e a consciência. Esse cara ainda seria humano? E se ao invés disso o cara fosse sendo construído do nada, com o mesmo resultado final?

Enfim, o que faz a humanidade de um ser humano? Difícil dizer quando encaramos a possibilidade de criar seres tão capazes de raciocínio e moral quanto nós mesmos, porém totalmente à parte de nossa linhagem. Mais difícil ainda quando lembramos de quão desumanos nós conseguimos ser.

E o engraçado é que justamente quando percebo que sou capaz de me irritar, que estou sujeito a agir irracionalmente ou a machucar alguém, é que lembro que sou um humano, igual a todos os outros, nem melhor nem pior. Só mais um em um oceano de 6 bilhões.

Talvez pra conhecer nossa humanidade, seja preciso olhar para o lobo que se esconde dentro de nós.

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Nota #18 ou "Querido diário"

Um homem sem amigos é um homem sem memória.

São as lembranças que você compartilha com eles que servem como uma mínima garantia do passado. Afinal, qual a chance de todo mundo fazer parte de um complô pra te enganar com memórias implantadas?

Quase Habermasiano isso, é a conjunção dessas várias razões (tantas vezes desarrazoadas) que nos permite alguma certeza. E é esse pessoal estranho que me faz acreditar em bodes gigantes, pães voadores, clubes do pastel e todas essas piadas sem graça pro resto do mundo.

Zé povinho

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Não sabe o que é sofrer.

Somos egoístas e presunçosos quanto a nossos sentimentos.

Sempre acreditamos que o nossa dor é maior que o de qualquer criatura do universo, e que qualquer amor diferente do nosso não é amor. Aliás essa é uma das coisas que eu mais ouço por ai: "Você diz isso porque nunca amou na vida".

Contudo, se amor e sofrimento são sentimentos, e como tal subjetivos, como dá pra dizer que os seus são maiores ou melhores do que outra pessoa percebe? Ou que seu conceito sobre eles é mais correto? Minhas ideias me permitem ver esses sentimentos como coisas de importância passageira, que nós mesmos criamos e destruimos, e sou de deixar as feridas cicatrizarem, sem mexer. Mas quem sou eu pra dizer que um Werther também não sentiu de fato?

Então você pode até discordar do que eu digo, mas eu não vou duvidar do que você sente. Mesmo achando que é um jeito estranho de sentir. Talvez, no máximo, dê pra imaginar quem você é pelo jeito como percebe essas coisas bobas do coração.
Em contrapartida, por favor, não duvide dos meus.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Quero ser grande

Meus colegas costumavam dizer que os alunos que entram na faculdade pelo PAS eram mais imaturos que os que passavam pelo vestibular. Segundo eles, os jovens calouros ficavam estudando no ensino médio e, como não aproveitaram a vida espinhenta de adolescente, não eram tão maduros quanto os outros. Como eu sou do contra, sempre discordei. Ao menos do meu ponto de vista, a atitude desses moleques de ter se empenhado em um projeto de longo prazo sacrificando um pouco da vida boa do momento revela um pensamento muito mais adulto que o dos outros.

Mas pensando melhor nisso, vi que essa discussão era meio sem sentido. Afinal, o que é uma pessoa madura? Pra começo de conversa, dizer isso é assumir que existe um modo de pensar geral dos adultos e que esse modo é melhor que outros. Finalmente, quem sou eu pra falar de maturidade, aqui do alto dos meus quase quatro lustros de vida? Logo eu, que ainda to aprendendo a crescer.

Saber o modo correto de agir, quer seja ele com a seriedade de um adulto turrão ou com a pirralhice de uma criança, é uma daquelas coisas que eu não tenho grande pretensão de descobrir, a não ser quando eu estiver bem velhinho e olhar pra trás. Agora, porém, não faço idéia do que é ser madura. Quem souber me explica, por favor..

Ou me arruma uma moeda


terça-feira, 26 de maio de 2009

Meu QI é 143

"_ O que ilumina a noite?
_ A poesia."



O desenvolvimento intelectual segue uma escala regular de crescente abstração do conhecimento.
Esse é o ponto básico da minha idéia de o que é inteligência.

O mais baixo nível nessa escala de capacidade intelectual é ocupado pelos animais, que nada mais fazem que reagir a estímulos externos e interagir com o mundo sensível. Depois viriam seres humanos mais primitivos, que constroem seu saber com a mera observação das relações de causa e efeito (estando na verdade cometendo muitas vezes uma falácia) e não raro completem suas lacunas com explicações mágicas. E assim vai, sempre em direção a um conhecimento cada vez mais abstrato.Basicamente, isso significa que eu não acho uma pessoa inteligente só porque ela sabe um monte de coisas. Porque lembra de um monte de palavras difíceis e fatos inúteis.

Ao meu ver, inteligente é alguém que sabe ver o que não é evidente. E a maioria das coisas belas vem assim, disfarçadas de amenidades. As coisas mais importantes da vida são justamente aquelas que não se vê e não se entende, então inteligente de verdade é a pessoa que sabe reconhecer aquilo que é dito sem palavras, mensagens que pressupõem uma gravidade e uma maturidade além do que a maioria tem. Pra ser esperto mesmo, tem que saber interpretar muito mais sentimentos que dados. Variáveis complexas é o caramba, difícil é achar a poesia escondida no dia-a-dia!

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Omnia mutantur, nihil interit

Em um dos capítulos de Sandman, ao encontrar-se com a Morte, um personagem diz algo como: "Sempre achei que morrer era algo que acontecia de uma vez, subitamente. Mas agora entendo que a morte é como se um ladrão entrasse todos os dias na sua casa e levasse alguma coisa embora. Até que um dia não tem mais nada".

E realmente, é assim que o tempo mata tudo. Ou é como as coisas morrem no tempo. Elas vão se desfazendo, o que era concreto vira pó e as verdades perdem o sentido. As certezas se esvaem e no fim a única que resta é que absolutamente tudo está sujeito à fórmula de Ovídio: Tudo muda, mas nada perece.

Nada perece, porque apesar de tudo eventualmente mudar em sua natureza, o todo permanece constante. Fechando bem o foco, percebo que eu mesmo mudei tanto em apenas três anos, que mal poderia dizer que sou o mesmo. Mas sou. Os medos mais escondidos, as falhas mais profundas, os princípios gravados no fundo da minha existência, continuam iguais, mesmo que a superestrutura tenha mudado.

Isso, em uma vida, é permanente. O que não muda a grande verdade que, afinal, tudo muda.

domingo, 17 de maio de 2009

Humildes orgulhosos

Orgulho é o que move o mundo. Assim como todos os sete pecados capitais, ele é necessário em certa dose. É preciso ter orgulho de si mesmo pra se fazer respeitado. Nada mais charmoso em alguém que uma pitada de arrogância. Até porque uma pessoa exageradamente subserviente, parece incutir nos outros um pouco de desprezo, ou melhor, um tanto de desrespeito. Orgulho é necessário, pra que o ser humano possa olhar nos olhos de outro sabendo que encara um igual.

*Frase do dia: "Quando enferrujar, não poderá cortar novamente. Quando perder o controle, rasgará meu corpo em pedaços. Sim, o orgulho se parece com uma lâmina."

Humildade por outro lado é até mais importante. Sem a humildade de reconhecer que muitas vezes você é fraco e incapaz, é impossível se tornar melhor. O progresso contínuo, única chave que eu acredito existir pra ser uma pessoa melhor, só pode ser alcançado quando você abaixa a cabeça e reconhece que foi leviano, inconsequente e procura não cometer os mesmos erros. É preciso aceitar os próprios erros.

*Frase do dia²: "“Foi o orgulho que transformou anjos em demônios mas é a humildade que faz homens serem como anjos”. – Santo Agostinho

terça-feira, 12 de maio de 2009

Paradoxos te fazem parecer cult

A receita pra uma frase de MSN super cool/descolada, ou um "Quem sou eu" supimpa pra uma rede social genérica é escrever um paradoxo qualquer. Por algum motivo, paradoxos atraem as pessoas. Eles tem um efeito muito interessante de deixá-las desconsertadas, atônitas com a própria incapacidade de entendê-los. De qualquer forma, toda sentença paradoxal tem o efeito de mexer fundo na cabeça de quem lê.

Paradoxos são falhas na linguagem que induzem a contradições lógicas. Ou seja, verdades de pé sobre as próprias cabeças. Acho que eles nos fascinam tanto porque vivemos mergulhados em paradoxos. Somos homens que não entendem o que é virilidade, mulheres que não sabem o que uma mulher deve fazer, sentimos e pensamos sem conseguir definir sentimento e pensamento e, meu preferido, somos seres morais em um mundo onde a moral e princípio resistem a conhecer conteúdo.

Afinal, os paradoxos que refletem os distúrbios dentro de todo mundo acabam virando estampa de quão legal você é, um jeito de parecer inteligente, já que ninguém será capaz de entender essa frasezinha contraditória que te define. É como aquela história da roupa do rei, que só os inteligentes podem ver. Só que mais legal, porque todo mundo vive seus próprios paradoxos. Então vai por mim, cola que é sucesso.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Abstrato é o que não é concreto

Já passei muito tempo tentando encontrar a verdadeira natureza das coisas mais abstratas. Eu queria entender qual era a boa moral, o que é a verdade, o que são dor, angústia, felicidade, amor...
Mas acabei ficando cada vez mais cético. Se em 2500 anos de filosofia ninguém conseguiu uma resposta pra essas coisas, quem sou eu pra conseguir? Minha incredulidade cresceu tanto que tudo perdeu o conteúdo.


Mas agora acho que entendi melhor. Essas idéias não existem de verdade, nós é que as construímos. O que não significa que elas não tenham sentido depois de prontas. Apenas quer dizer que cada um inventa o amor que lhe apraz, cada um acredita na verdade que lhe satisfaz.

Por fim, vou copiar uma da melhores opiniões que eu já li sobre o amor. Melhor que qualquer filósofo que eu tenha visto, foi Neil Gaiman que escreveu as palavras mais contundentes sobre esse sentimento:

"Você já amou? É horrível, não? Você fica tão vulnerável. O amor abre o seu peito e abre o seu coração e isso significa que qualquer um pode entrar em você e bagunçar tudo. Você ergue todas essas defesas. Constrói essa armadura inteira, durante anos, para que nada possa lhe causar mal. Aí uma pessoa idiota, igualzinha a qualquer outro idiota, entra em sua vida. Você dá a essa pessoa um pedaço seu, e ela nem pediu. Um dia, ela faz alguma coisa besta como beijar você ou sorrir, e de repente sua vida não lhe pertence mais. O amor faz reféns. Ele entra em você. Devora tudo que é seu e lhe deixa chorando na escuridão. E então uma simples frase como 'talvez devêssemos ser apenas amigos' se transforma em estilhaços de vidro rasgando seu coração. Isso dói. Não só na sua imaginação ou mente. É uma dor na alma, uma dor no corpo, é uma verdadeira dor-que-entra-em-você-e-o-destroça-por-dentro. Nada deveria ser assim, principalmente o amor.

Odeio o amor"





terça-feira, 28 de abril de 2009

O melhor filme nunca será gravado

Fico vendo filmes, procurando um favorito. Tenho vontade de ter um favorito. Mas acho que nunca vou encontrar um que seja melhor que todos os outros em tudo. Nenhum é perfeito. Com as pessoas é igual.

Ninguém é perfeito. Impossível ser mais clichê. Porém, é isso que libera um pouquinho o desespero da existência; já que nenhum ser humano esgota a humanidade, nenhuma perda é irreparável, nenhum amor insubstituível e nenhuma ferida inesquecível. Ao mesmo tempo todos são, afinal a unicidade de cada pessoa a torna imediatamente especial.

Foi em uma noite há algumas semanas que eu percebi isso, a ausência de perfeição é o que torna o mundo complexo, a diversidade de personalidades e rostos é que cria a contingência que permite até o mais mal-trapilho dos romântico cicatrizar as feridas e, por fim, recomeçar.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

O engano autêntico

Simulacro é vício pós-moderno. Ninguém mais se importa com a realidade. Na verdade nós a esquartejamos, pasteurizamos e vendemos na forma de enlatados da TV. A onda hoje é o Hiper-realismo. Só queremos o que é mais real que o real.

Tudo que se vê, escuta, come, lê e sente é sintetizado, recriado, melhorado. O sexo deu lugar à pornografia hollywoodiana, na música os sons eletrônicos substituem os acústicos, a imagem do blue-ray é melhor que a da vida lá fora. Até o amor vira a cópia de uma fantasia, enquanto as pessoas se inspiram em modelos de beleza que simulam algo que não existe.

Platão desdenhava da arte por considerá-la cópia imperfeita desse mundo, que é cópia imperfetia do mundo ideal. Hoje o pesadelo platônico vira cotidiano e nas nossas telas vemos um mundo admiravelmente novo, imagem do que nunca conseguimos criar.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Parabéns, quadradinho

Poucos lembram disso, mas ontem, 22 de abril, foi aniversário do descobrimento do brasil. Talvez seja uma data meio esquecida porque o o próprio descobrimento é um engodo já meio desacreditado. No dia anterior foi comemorado o aniversário de Brasília. Cidade tão nova e tão maltratada.

Meu país e minha cidade. Amo os dois.

Tenho um caso de amor incorrigível por esse lugar. Uma das poucas coisas que me deixam nervoso é ouvir alguém falando mal de Brasília. Já tem gente demais, se não gosta pode ir pra outro lugar. Tenta goiânia. E o Brasil, apesar de ter tanto problema e de o povo daqui não me parecer cidadãos exemplares, ainda é um país em que eu me orgulho de ter nascido.

Me orgulho de ser descendente de portugueses e me orgulho mais ainda em saber que até onde vai a memória viva da família, na minha ascendência direta nunca houve um casamento entre pessoas da mesma raça. Sou um vira-latas, de uma família de vira-latas, e tenho muito orgulho disso. Porque isso é o Brasil. Um lugar onde qualquer mistura louca tá valendo.

E essa cidadezinha, que todo mundo diz que não tem esquinas (embora eu veja um monte delas), essa tal de brasília, que meus avós ajudaram a construir quando isso aqui era só um cerradão a perder de vista, é o lugar que eu mais amo no mundo. Cidade nenhuma me atrai tanto quanto a minha. Em lugar nenhum eu encontrei um céu tão azul, apoiado na terra vermelha. Enquanto os outros lugares parecem prisões de concreto e fumaça, aqui eu me sinto livre.

Espero no futuro sair daqui. Pra conhecer o mundo, que é grande demais pra eu me contentar em ver tão pouco. Mas no final eu vou voltar. Pro mesmo lugar onde eu nasci, onde cresci. Onde eu passei as tardes em que o tempo esfriava e o céu ficava cinza e a grama ficava verde de dar gosto. Voltar pra minha cidade.

domingo, 19 de abril de 2009

Sexo verbal não faz meu estilo

Palavras são sons sem significado, que a gente reveste de sentimentos. Por si mesmas, elas não significam nada. Então, podem me chamar de oldschool, mas pra mim a verdade está nos atos e não nas palavras de uma pessoa.

Não importa quão bonita seja a fala, quão doces sejam os versos, a sinceridade mora na ação. Claro, ainda não me tornei cínico o suficiente pra acreditar que discursos os discursos cheios de emoção sejam vazios de significado. Apenas tento ouvir o que lá no fundo ela diz com suas ações.

Ainda não cheguei ao ponto de revelar tudo que eu quero através do que eu faço, mas ao menos já comecei com uma coisa. Antes de falar eu penso: "é isso mesmo que eu quero e devo dizer?"

Em geral, fico calado.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Um bom jeito de morrer

Nunca tive medo da morte. Não sei bem porque, mas nunca achei a irmã do sonho uma grande preocupação. Mais do que nela em si, penso que alguns tipos de morte devem ser mais interessantes.

Por exemplo, um bom jeito pra esticar as canelas? Uma explosão nuclear. Não imagino nada tão belo e mortal quanto um cogumelo nuclear. É apavorante imaginar que a humanidade chegou ao ponto de criar bombas capazes de queimar a atmosfera e destruir o planeta todo. Só a ideia de ter capacidade de destruir uma cidade inteira com uma unica bomba já é assustadoramente fascinante. Claro que uma morte nesse caso só vale a dramaticidade se você for vaporizado na explosão, virando nada mais que uma mancha escura na parede atrás. Se ela ficar de pé. Ou se você estiver olhando na direção certa, assim sua última visão será a da luz mais intensa que o homem já criou.

Or how I learned to stop worrying.

Menos pirotécnicas mas talvez mais dramáticas são as mortes heróicas. Delas são feitos os épicos, é com elas que se alimenta a mitologia. E assim que, como escreveu Vargas, se sai da vida pra entrar na história. Não são poucos os povos que reservam a vida eterna para os que morrer heroicamente, lutando, sofrendo. Morte dolorosa, coisa pra cabra macho!

Heróis ganham estátuas. Covardes passeiam com os netos.

Porém, não importa o que se diga a jeito mais punk rock de bater as botas é em um choque de galáxias! Bang, você, seu vizinho, seu cachorro e toda a existência na Terra viram poeira cósmica num piscar de olhos. Imagina chegar no porta do céu e dizer: "Ah eu? Morri em um choque entre galáxias. Eu e esse pessoal todo aqui." Tenso! Em um choque desses, estrelas são criadas, enquanto outras são destruídas, mas nós coitados, somos frágeis demais pra tanta badalação.

Uma batida que seu seguro não vai cobrir.

Bom, claro que não imagino nenhum ser humano presenciando tal espetáculo, afinal ainda vai levar uns 5 bilhões de anos até a nossa galáxia esbarrar com a galáxia de andrômeda, que vem galopando em nossa direção como um centauro bêbado. Bem antes disso o sol vai se expandir e queimar toda a superfície da Terra. UFA!

domingo, 12 de abril de 2009

Alceu & a solidão

Chega a ser assustador o quão bom é estar sozinho. Bem, precisa saber aproveitar. Mas é um ótima chance de se fazer algo que você ache super divertido, sem se preocupar com mais nada.

Como dizia um sábio amigo meu, que chamarei aqui pelo codinome de... Alceu Borba, "Antes de se divertir com alguém, você precisa aprender a se divertir consigo mesmo". Apesar da possível aplicação ao campo sexual, que me fez zombar do pobre Alceu durante muito tempo, é algo muito verdadeiro, considerando que só há uma pessoa que necessariamente vai estar por perto durante toda sua vida: você próprio.

Só faltou viajar

O bom desse feriado foi ter ficado sozinho. Não sei nem porque, mas é muito bom estar completamente só em um lugar silencioso como esse. Melhor ainda quando tem pessoas em volta pra passar algumas horas ouvindo música, olhando fotos antigas ou só batendo papo à toa. Realmente, bom demais é estar sozinho sem ser solitário!

domingo, 5 de abril de 2009

Naive

Por que será que todos somos tão cruéis? Será que o homem é uma tábula rasa onde a sociedade mais tarde escreve um palavrão qualquer? Um pouco assustador isso, principalmente quando eu penso que a sociedade é produto da condição humana.

Eu sempre fiquei imaginando o que acontecia em algum momento da vida, que fazia com que nos tornássemos adultos cínicos, falsos, chatos e amargurados. Talvez não aconteça nada. Talvez já sejamos todos assim. Provavelmente eu é que sou ingênuo e tolo demais pra perceber.

Não, acho que não é isso. Sozinhos, em geral, somos legais. O problema é quando junta um monte de pessoas e começa a decidir o que é normal, quem é legal e quem vai ficar sozinho na hora do almoço.
Me dá um tristeza danada, assim de apertar o coração, quando eu vejo alguém que eu considero extraordinário ser esmagado pela crueldade inerente a todos nós. Não faz sentido pra mim essa necessidade que a sociedade tem de destruir tudo de interessante que surge no meio dela. E alguma coisa, sociedade, biologia ou sei lá o que, faz a gente aceitar isso como normal.

Talvez eu seja ingênuo e tolo demais, mas não ligo se todos, inclusive você, disseram que você era nada. Você pode ser importante pra mim. Não ligo se dizem que o bonzinho só se ferra. nem me importa se me dizem que pra conseguir as coisas é preciso nascer com sorte. De qualquer jeito vou vivendo assim meio perdido, sempre aprendendo, sempre errando. Sabe, coisa de moleque mesmo.




terça-feira, 31 de março de 2009

Metablogagem #2


Como o dono, vez ou outra esse blog debruça-se sobre si mesmo. Olhando profundamente seu próprio ser, busca uma razão fundamental de existir.
O que eu escrevo aqui, e por que?
Confesso que eu comecei a escrever pra impressionar uma garota. Talvez eu tivesse me saído melhor se tivesse aprendido a jogar futebol direito, sei lá. Enquanto isso eu repetia pra mim mesmo que o blog era um incentivo pra estudar.

Depois isso passou e esse diário on-line praticamente virou isso, um diário. Bobagem, ficar chorando pitangas, esperando ouvir adulações que na verdade não resolvem nada. E assim foi até eu decidir não falar mais de amor, de dor, de coração e de ilusão. Dá pra reparar que a produção de posts caiu abruptamente.

Hoje, cada post sai com dificuldade. Não basta mais escrever o que eu quero. Nem tudo convém ser dito por esse meio. Ao menos do meu ponto de vista. Certas coisas não devem nunca ser ditas pra alguém senão cara-a-cara. Coisas como "Eu te amo" ou "Adeus". E isso é sério pra mim. Eu jamais trato de um assunto tão importante em um meio tão... leviano e público.

Mas por fim, imagino que talvez agora esse blog tenha descoberto seu animus. É a minha máquina do tempo. É a cápsula onde eu guardo o que aprendi, pra lembrar quando estiver perto de repetir algum erro. E tenho relido muito as lições de invernos passados.

sábado, 28 de março de 2009

Nota #17

Primeiro, faltou agradecer a D14n4, que fez o layout novo pra mim. Mais uma vez ela me ajuda com códigos incompreensíveis de informática. Quase me senti fazendo Computação Básica novamente.

Segundo, seguirei mais estritamente minha nova regra de não ficar discutindo em blogs. Sócrates dizia que é condição necessária para o debate que os dois lados estejam dispostos a mudar de idéia se for preciso. Não dá pra discutir com argumentos subjetivos e crenças que não podem ser comprovadas. Então apartir de hoje podem sentar o sarrafo ai nos comentários que eu não vou intervir (muito).

And last, but not least, fique registrado que eu detestoooo usar formas de comunicação à distância. Só quando não tem jeito. Nada substitui uma boa conversa pessoalmente. Quanto mais indireta a comunicação mais me irrita. Só isso.


quinta-feira, 26 de março de 2009

Só mais um jeito de dizer adeus.

É engraçado falar isso, porque eu nunca disse adeus antes. E agora digo justo a você que era tão importante pra mim e que, no fim das contas, vai continuar por perto.

Foi um tanto quanto difícil te derrubar do pedestal em que eu te havia posto. Fazer de você um vulto sem cor, assim como todos os outros. Esquecer não é uma coisa fácil, nem algo a que eu esteja tão acostumado.

Às vezes eu imaginava se você de vez em quando lembrava de mim. Se no meio de uma tarde preguiçosa você se pegava subitamente pensando em mim. Será que ao menos um instante você considerou como tudo poderia ter sido? Na verdade acho que não. E pra ser sincero, creio que você nunca vai se arrepender do jeito que tudo terminou. Nem eu.

Eu te fiz promessas, e mesmo que você as esqueça, eu não vou. Nunca esqueço minhas promessas. Ao menos até onde me recordo. De qualquer forma valeu a pena. Sempre vale.
Enfim, tudo um dia vira história, eu vou esquecer seu nome e você não vai mais ligar em perguntar sobre mim. Mas tá tudo bem, é a vida. De qualquer jeito, eu me diverti.
Então adeus. Boa noite e boa sorte.

"Nunca olhe pra baixo"

Durante muito tempo eu imaginei que as pessoas que não eram melancólicas ou de alguma forma danificadas, simplesmente não pensavam e/ou sentiam

Eu não via como alguém pode perceber o vazio que é a existência e não se desesperar. O filósofo do martelo já havia alertado que o abismo olha de volta, mas acho que não é o próprio abismo que devolve seu olhar. É a sensação de fragilidade, é o medo do escuro e do desconhecido. Tem gente que acaba se dando conta que simplesmente não tem nada lá. Outros criam fantasmas que assombram os cantos escondidos, se alimentando de choro e auto-comiseração.

Engraçado, lembrei de Sandman, em que a personagem Desespero, olha pra nós através de espelhos e sempre que estamos em frente a um vemos os olhos do desespero nos mirando. Interessante isso, a angústia se apresenta quando encaramos a nós mesmos.

De alguma forma, entender a vida é sofrer um dano imenso e crescer é se recuperar desse dano.

Quase sempre quem morre nesse choque é a inocência, ou a esperança.
Mas de vez em quando acontece serem a arrogância e o egoísmo a se desprenderem, quando mergulhamos no escuro que é a realidade.

sábado, 21 de março de 2009

Questão de foco

Até que ponto podemos falar que os outros são superficiais sem nos julgarmos profundos demais?

Foi o que certa vez no passado, uma das garotas mais sábias que eu já conheci me perguntou.
Devo concordar que a tal superficialidade aparece quando comparamos aquilo que realmente achamos importante com... bem, o resto do mundo.

É difícil ver graça nas coisas à sua volta quando toda sua atenção está concentrada em um foco. Daí não custa muito entender o que o minduin sentia quando disse naquela tirinha lendária que eu nunca achei: "Nada tira o sabor da manteiga de amendoim como um amor não correspondido". Claro, quando o único fim que você vislumbrava desvanece no ar, tudo fica meio tedioso. E sem sentido. E desinteressante.
Já vi isso acontecer, não é bonito.

Mas no fim das contas, penso eu que nada tem um valor intrínseco. Todos são os mais importantes e mais insignificantes seres do universo, só depende de quem julga. E da disposição de quem julga. Às vezes acontece de alguém com quem você nunca falou de repente se tornar a menina mais linda do mundo. Ou de a pessoa mais especial no mundo virar, a muito custo, mais um na multidão. A ponto de você às vezes esquecer que a esqueceu.

Acontece, tem cada coisa por aí.

domingo, 8 de março de 2009

Quixotesco, não?


Tenho cá meus pecados. Um dos menores deles é não ter lido Dom Quixote. Sim, segurem seus queixos, não li. Mas vi desenhos animados sobre ele um monte de vezes, serve?

O coitado do Dom Quixote me dá uma pena. Ele é sombra de um passado perdido, um reflexo de um tempo romantizado. O pobre louco vive um sonho em meio a um mundo desencantado. Não sei porque, mas simpatizo com ele.

Sabe, eu não gosto muito de otimismo nem de pessimismo. Duas religiões de fracos. Mas ao menos no otimismo iludido do cavaleiro espanhol é interessante ver a recusa por se render à crueldade fria do mundo. Como em um filme que assisti esses dias; dizem que quando a gente cresce, nosso coração morre. "Quem se importa?" perguntaram, "Eu me importo".

Tem coisas pelas quais eu vou brigar, pelas quais se deve brigar. Sob pena da mais pura covardia. E mesmo que de vez em quando os gigantes sejam meros moinhos, precisa arriscar né? Afinal, é necessário ter histórias pra contar. Se não der certo... well that's life, life sux, go on. Mas se é o que quero, tem que tentar.

Nem que seja só por amor às causas perdidas.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Nota #16

São tempos difíceis para os sonhadores. Mas não são dias para se chorar. Ria e o mundo rirá com você, chore e você chorará sozinho; assim diz o filme oldboy, não é? Bom, é em grande parte verdade. O mundo é um lugar duro, cheio de gente chorando, vivendo e morrendo. Dá pra evitar o desespero? Apesar disso, melhor não levar tão a sério. Já ouvi que rir demais é desespero. Talvez uma fuga. Só sei que me dá vontade de rir, quando eu olho pro mundo e vejo uma tela branca enquanto tanta gente vê... destino.

Não tem perfeição, nem perseguição, a vida simplesmente taí. Melhor vivê-la, sem se preocupar muito em dramatizá-la.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

As memórias nunca vividas de um velho


Ontem um episódio dos simpsons mudou minha forma de encarar a vida. Não que isso seja incomum, minha filosofia máxima eu tirei de Garfield & friends.

O que me fez levantar ontem de madrugada foi lembrar do que um velhinho disse no episódio: "Me deixa que agora eu vou sentar aqui e lembrar das mulheres com quem eu podia ter falado e não falei". Foi um daqueles episódios filosóficos, sabe.

O tempo, pra quem não sabe ou não percebeu, é minha obsessão. Eu sinto o valor de cada segundo, que na verdade vale tanto, tanto que não tem jeito de conseguir de volta. Só porque eles passam por nós o tempo todo, agente esquece como eles são importantes. Somos assim mesmo, esquecemos que milagres que acontecem o tempo todo nem por isso deixam de ser... bem, milagres.
E ontem quando eu me deitei eu senti os segundos passando por mim arrastados, como lâminas que cortavam devagar. Eu fiquei pensando em algo que eu queria ter feito. Que eu queria dizer.

Ah quer saber, dane-se. Simplesmente não vou sentar e lembrar das coisas que eu nunca disse.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Esqueci o que eu tô esperando

Paciência é uma coisa que eu aprendi na marra. Desde sempre eu tenho a impressão de que nada pra mim dá certo com facilidade. Em tudo que eu faço acontece alguma coisa que dá errado e eu preciso esperar pra consertar. Falo sério, é tipo uma regra, nada funciona de primeira. Se eu compro um jogo pro PC, por algum motivo ele não roda, quando compro um pc, tenho que esperar um mês a mais porque ele precisa ser reconfigurado, quando compro um maldito xbox 360 ele dá 3rl. São alguns exemplos.

De tanto isso acontecer comigo, fui me acostumando a não esperar que as coisas dêem certo de cara. A não ficar ansioso com prazos indefinidos... me acostumei a esquecer.

Sabendo dessa... tendência ao caos, eu também tento evitar expectativas. Quando sei que algo muito bom está prestes a acontecer, eu seguro o sorriso que insiste em querer aparecer. Guardo bem escondid a vontade de comemorar e esqueço a alegria, transformando a esperança em um segredo que guardo de mim mesmo.

Esquecer é algo em que sou bom quando quero, afinal treinei um bocado. Às vezes até esqueço que te esqueci. Já fiz tanto que agora até me divirto tangendo da memória as pessoas que eu gosto, só pra ter o prazer de relembrar delas.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Quem um dia irá dizer


Quando vejo nomes de casais gravados em árvores, fico imaginando se eles estão juntos até hoje, se o amor durou tanto tempo quanto aquelas letras.

Ao postar, há alguns meses, o vídeo da música "Léo e Bia", ia aproveitar pra dizer que apesar das palavras bonitas, 25 anos depois o amor brasiliense virou rotina e os dois se separaram. Ia fazer alguma reflexão chata sobre isso. Nem fiz, a música é legal e isso que importa.


Outra famosa história de amor que se passa por essas paragens é a de Eduardo e Mônica. Tão famosa que até ganhou uma praça. Interessante ver quanta gente decidiu gravar seus nomes em corações ao lado da partitura dessa música. Junto desse amor tão improvável quanto conhecido agora estão registrados vários outros amores anônimos. Qual será a história deles?

E lá no parque da cidade foi acabando meu verão. Cheio de sonhos e de um tempo que não passava. Mais um verão pra se sentir saudade.

Frase do dia:

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Nota #15 - Ou carpe diem

Um dos fundamentos do bushido, o código de honra seguido pelos samurais do Japão feudal era que o guerreiro deve estar sempre consciente da fragilidade de sua própria vida. Tendo sempre em mente que a morte poderia encontrá-lo a qualquer instante, o samurai concentrava-se ao máximo em cumprir sua tarefa com perfeição.

Essa ideiazinha de viver cada dia como se fosse o último não poderia ser mais clichê. Mas como todo bom clichê, nasce da obviedade. Aproveitar cada momento como se fosse o último revela um mundo completamente novo, muito mais interessante. Pensando dessa forma, ficamos ligados em prestar atenção nas sensações que em geral passam despercebidas.


Para ouvir a harmonia de uma música se concentre como se estivesse na iminência da surdez, olhe bem o pôr-do-sol, como se ele não fosse mais nascer. Sinta os lábios de quem te beija como se fosse o último beijo.
Aliás, que cada beijo seja como se fosse o primeiro e o último.


*Agradeço ao mais fiel dos comentadores por ter me dado algo em que pensar.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Wu wei, a Não-ação

“O Tao é uma constante não-ação
Que nada deixa por realizar.”
Capítulo 37 – Tao Te Ching


Ação é fazer, não-ação é não ter intenção de fazer.
A vida segue um fluxo contínuo, asim como um rio. Da mesma forma que nos cansamos se nadarmos contra a correnteza de um rio, lutar contra o fluxo da vida apenas nos levará à exaustão. A filosofia chinesa do taoísmo ensina que é preciso deixar que a vida flua por você, caso contrário você estará desperdiçando energia inutilmente.

Na verdade essa idéia é bastante semelhante a tese dos estóicos gregos, que faziam a analogia entre as vidas humanas e cães amarrados a uma carroça que não para: É melhor seguir calmamente o caminho do que lutar, pois você será arrastado de qualquer forma. Alguns séculos mais tarde Santo Agostinho pedia em suas orações "serenidade para aceitar o que não pode ser mudado".
Essas posições aparentemente trazem consigo um quê de conformismo, de aceitação covarde do que é posto. Mas a citação do Tao Te Ching, que está lá em cima, pode mostrar um caminho diferente para entender essa impassividade diante da vida.

A não-ação de que fala o trecho é diferente de não fazer nada. Ação é fazer algo, Não-ação é não ter intenção de fazer. Agir com naturalidade, mantendo o coração vazio de interesses, de engenhos ou especulações. Só quando deixamos de pensar no que deve ser feito, sabemos enfim o que deve ser feito, quando não planejamos agir de maneira determinada estamos livres para agir desta maneira. É fácil ver isso, se alguem te diz que você age de tal forma, será mais difícil continuar agindo assim, pois você passará a medir suas atitudes em busca de um padrão que deveria ser natural. Não-ação é, portanto, ser natural.

Just shake it up, baby

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

I wanna do bad things with you

Na sua fundamentação da metafísica dos costumes, Kant apresenta a afirmação, aparentemente circular, de que somos livres quando criamos nossas próprias leis morais. E criamos leis morais quando somos livres. Nas palavras do filósofo, a vontade é a lei de si mesma.

Perdão estar sendo repetitivo, é que tenho lido muitas críticas e fundamentações hahah, e Kant tem me parecido cada vez maior. Quase todo mundo acha que ele foi só um velho ranzinza, que vivia só pelo dever e escrevia de maneira obscura para satisfazer a própria rigorosidade. Porém o que tenho visto é uma pessoa que tinha verdadeiro interesse em defender a felicidade alheia, que era capaz de sacrificar tudo em que acreditava em busca da verdade. Ele era muito mais versátil e anti-dogmático do que se pensa à primeira vista, sua capacidade de pôr em xeque tudo o que fosse dogma infundado o levou até mesmo a refutar Deus, matando-o em sua Crítica à razão pura, não obstante sua criação religiosa e apego à espiritualidade cristã. Mais tarde, na Crítica à razão prática, Kant redime a crença na Divindade dando-lhe uma base moral. Como diz sua biografia, o filósofo mata o Deus em seu espírito para mais tarde reencontrá-lo em seu coração.

Kant sabia que não somos anjos nem demônios. Ninguém faz só coisas certas, e nem só coisas erradas. Aliás, certo e errado não têm um conteúdo per si, são conceitos que nós precisamos definir pela nossa autonomia. Toda tentativa de impor a alguém uma definição para esses conceitos é algo criminoso. Particularmente, acho que errado é afrontar os princípios que eu escolhi, de resto, não sinto obrigação de fazer o que os outros acham que é melhor. citando Voltaire, faça o que deve ser feito, e deixe os outros discutirem se é certo e errado. Eu não pretendo nunca trair a mim mesmo e deixar de lado o que eu acredito, mas quem disse que pra isso eu tenho que ser sempre bonzinho?


Um lobo ético, um homem amoral

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Coisas que eu sei. Ou não.


Musiquinha pra ficar feliz

Tem um monte de coisas que eu não sei. Não sei dançar, não sei jogar bola, não sei fazer café. Não sei dizer quando gostam ou não de mim, não sei o nome de todas as estrelas, nem a história da terra. Não sei quem sou eu ou onde estou. Não sei se amanhã vou ser exatamente o mesmo que sou hoje. Não sei se Deus joga dados com o universo ou não.

Mas acho que sei o suficiente pra aproveitar esses dias. Sei que eu sou meio egoísta, sei que eu tenho um bocado de falhas, sei que orgulho não me cai bem, sei que sou exagerado, e que sou só um garoto. Sei que tenho muito a aprender. Sei que pra mim, você é tudo o que quero. Sei que o futuro é incerto, mas não ligo.

Sei que bons tempos virão, enfim.