quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

As luzes


"Não! Segure minha mão...! Nããão!!!"

Não! Oh droga. De novo aquele pesadelo. Vejo-a caindo num abismo e não importa o quanto eu tente, não consigo alcançá-la. Faz o que, uma ano que ela foi embora? Acho que é isso. Que fome, preciso comer alguma coisa. Ainda ofegante levanto e vou até a geladeira. Ótimo, pizza gelada e leite, é só o que tem. Enfim, nada com que eu não esteja acostumado. O barulho da chuva na janela parece ensurdecedor. Mas ouço lá fora as sirenes, as buzinas, os gritos. Posso ver daqui as luzes da cidade, o ritmo frenético da madrugada aqui. Mas que droga de pizza, tá especialmente ruim hoje. Deve estar estragada. Engulo mais um pedaço.

Por que me sinto tão sozinho? No meio de todo esse movimento, de toda essa correria, me sinto sozinho. Parece que sou invisível. Sempre foi assim, até que um dia ela me viu. Mas agora ela se foi, pra onde eu não sei. Será que um dia eu vou conseguir te esquecer? Ligo o som e me aproximo da janela, a chuva continua forte lá fora.

Uma forma familiar me chama a atenção. Minha cabeça dói. É ela que eu vejo pela janela? Flutuando na noite, no mesmo vestido branco que usava na última vez que eu a vi. Empurro o vidro que me separa dela. Sinto-me tonto. Alguém bate na porta. Cambaleando, subo no parapeito. É dificil me equilibrar. Mais batidas na porta. Moro no vigésimo andar, lá embaixo tudo parece tão calmo, e tão pequeno. A música soa alta, não ouço mais nada. Mas percebo que tem alguém gritando do outro lado da porta. Quem será? Não importa mais. Abro os braços pra sentir a chuva pelo meu corpo. vou pra frente e pra trás, num suave balanço. A porta abre. Esqueci ela destrancada? Vejo as luzes girar num flash e caio.

Alguém me puxou pra dentro. Caído no chão da varanda, olho devagar pra pessoa a minha frente. Tão linda, minha amiga. O que faz aqui? Au, ela me dá um tapa. Está chorando. Por quê? Será... por mim? Ela me abraça. Fecho os meus braços e volta do seu corpo. Ela me encara com os olhos úmidos. Cada vez mais perto. Até que nossos lábios se tocam.

Uma doce lembrança, ela será assim pra mim. Mas agora já foi. Vamos sair da chuva. Estou acordado agora.

6 comentários:

Comentador Fiel disse...

três nothas:

1- Adoro texto escrito desse jeito, como dá pra perceber.

2- A expressão "Au" ficou um tanto deslocada e até cômica no texto.

3- Achei que ele ia cair, e a cocota ia ficar com remorso o resto da vida... Você me enganou. =P

John, O Lobo disse...

O au era pra ficar cômico mesmo =P

Rábula disse...

Esse Mohammed Bin Laden... sempre de brincs

Nunca pensou em escrever algo mais violento?

John, O Lobo disse...

Taí alguém que não andou lendo os últimos post! Heheheh

MarceL disse...

escrevendo bem ! :)
eu lembro que sempre ficava lendo suas histórias na sala, lembra ?

John, O Lobo disse...

Lembro sim! Grande marcel, little blak guy!